A QUEM INTERESSA SILENCIAR A POLÍCIA?

Como se já não bastasse o conhecido sucateamento que a Polícia Civil do Estado de São Paulo vem sofrendo há décadas, com uma lista enorme dos problemas considerados mais comuns, como móveis quebrados, prédios velhos e sujos, equipamentos obsoletos, funcionários insatisfeitos, isso sem falar na espera interminável pelo cidadão que procura a maioria das delegacias ou departamentos, esse cenário corriqueiro ainda não é o pior que poderia acontecer para a Instituição.

Existem indícios de que o quadro de desalento na Polícia Civil de São Paulo se agravou muito em tempos recentes, culminando com um verdadeiro “apagão” na área de comunicação, pois o que se constata hoje no principal departamento responsável pela Comunicação Policial – o Departamento de Inteligência da Polícia Civil – DIPOL, contendo em sua estrutura o principal Centro de Comunicações e Operações da Polícia Civil – CEPOL, é praticamente a falência do sistema de Rádio Frequência, que não funciona mais em várias unidades policiais enquanto que em algumas ainda subsiste de forma muito precária e instável por absoluta falta de manutenção nos equipamentos.

Na tentativa de resolver o grave problema nessa área de comunicação, o que se viu no último mês de junho foi a adoção de um sistema ainda pior do que os responsáveis pelo setor julgavam obsoletos, ou seja, um sistema de aplicativo de celular, que apenas estaria apto a atender situações administrativas de trabalho policial, mas jamais situações de emergências como tiroteios, sequestros, resgates, pedidos de apoio e outras situações críticas que exigem respostas imediatas, não sendo sensato, portanto, valer-se de um dispositivo não adequado para a função policial e que funciona  apenas de celular para celular, estando sujeito, portanto, a constantes falhas em virtude de interrupções ou mesmo completa falta de sinal, muito comum em várias localidades do Estado.

Sobre mais essa iniciativa que certamente será frustrada em virtude da ineficiência e perigo para a integridade física dos policiais operacionais, no desempenho de suas funções, a presidente do SINTELPOL, Nadir  Toledo Guerrero, que representa a classe dos Agentes de Telecomunicações Policial, não tem dúvidas em afirmar sobre o caráter oportunista e sem qualquer conhecimento técnico eficiente sobre o assunto: “ Onde estão as autoridades que deveriam zelar por esse fundamental setor da Polícia Civil, onde a vida de policiais e vítimas de criminosos estarão em permanente risco pela falta de adequada comunicação entre o policial que precisa de apoio da base operacional do CEPOL. Diante de uma situação tão óbvia , o que se depreende disso tudo é que hoje muitas autoridades estão  com suas atenções muito mais voltadas para a ‘dança das cadeiras’, para ver quem fica em lugar mais privilegiado que o outro, enquanto que o policial civil, no corpo a corpo com o crime, hoje muito bem organizado, só está podendo mesmo é contar com a proteção divina, além de muita sorte”, desabafou a presidente do SINTELPOL, para quem sem comunicação não se faz polícia e sem polícia não existe segurança pública e nem justiça.  Portanto, segundo ela, é de fundamental importância que a classe esteja unida para vencer mais esse difícil obstáculo e que só contribui para a ineficiência do trabalho policial, surgindo daí obrigatoriamente a indagação: A quem interessa calar a voz da Polícia Civil de São Paulo?  

 

 

 

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