QUAL É O TAMANHO DESSA DOR?

Como é possível acreditar que um jovem de apenas 29 anos, policial civil na carreira de Agente de Telecomunicações desde o ano de 2012, filiado a este seu Sindicato desde os primeiros dias de estágio na Academia de Polícia, fosse simplesmente colocar um ponto final em sua existência física, no último dia 21 de novembro, com um tiro no próprio peito.

Certamente esse não foi um ato normal e muito menos natural do nosso saudoso sindicalizado Flavio Alves Santos, o qual exercia suas funções no 47º Distrito Policial ( Capão Redondo). Importante lembrar ainda que o seu ato extremo veio somar-se a mesma conduta praticada pelo Agente de Telecomunicações Dejair Donizete de Almeida, também morto por suicídio em 22 de junho deste ano. A diretoria deste Sindicato lamenta profundamente essas tristes ocorrências e questiona: Por que policiais se matam?

Em situações como essas é que se constata que o estresse e o contato diário com a violência, aliado a ausência de preparo psicológico para essa convivência, estão levando os nossos policiais a um desmedido desespero, onde diante da inexistência de amparo e tratamento oferecidos pela Instituição, além das exigências e negligências que sofrem, a solução se apresente apenas no desistir de tudo e matar a si próprio.
Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, no período de 2006 2016 foram 46 suicídios de policiais civis. Essa mentalidade desumana atravessa as instituições policiais, contagiando seus agentes, legitimando de transformando policiais a cada dia em máquinas de matar e de morrer, até o ponto no qual do humano não sobre nada além de ruínas e a dor se torna insuportável subtraindo densidade de sentido à vida. Portanto, a diretoria do SINTELPOL considera de extrema importância ascender este sinal de alerta, por meio da conscientização de toda a classe policial para essa difícil realidade. É importante que todos os superiores hierárquicos estejam atentos e se capacitem para o necessário apoio, sabendo como e o momento de agir com vistas a oferecer maior qualidade de vida ao policial quando em serviço.

Flávio Alves Santos, Agente de Telecomunicações Policial
Flávio Alves Santos, Agente de Telecomunicações Policial
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