POLICIAIS PAULISTAS ESTÃO DOENTES E MORRENDO

dejairEm apenas dois dias deste mês de junho, o nosso Sindicato perdeu dois dos seus representados. Os Agentes de Telecomunicações Dejair Donizete de Almeida , morto por suicídio no último dia 22 e Paulo Borges Ceban, morto um dia depois ( 23), após batalha com doença grave, certamente decorrente da stressante função exercida por tantos anos. Ambos são apenas um pequeno exemplo do que está acontecendo com a Polícia Civil de São Paulo a cada dia mais doente nos últimos anos. Só nos últimos dois meses foram cinco Agentes de Telecomunicações mortos por doenças, isso sem falar  naqueles policiais que foram sumariamente executados por marginais, a exemplo do policial civil Rene Robson Rodrigues, executado a tiros durante diligências na Zona Leste de São Paulo, no último dia 7 de abril quando tentava, junto com outros parceiros, prender um procurado pela justiça. Além disso, policiais das diferentes forças tem enfrentado resistência da população, sendo destratados quando tentam realizar o seu trabalho.

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Este estado de crescente morte de policiais, seja por doenças diversas ou em decorrência da desmedida violência  acirra ainda mais os ânimos dentro das polícias. Seus integrantes passam a se sentir cada vez mais acuados e literalmente “caçados” no seu cotidiano de trabalho, seja na rua por marginais ou nos seus locais de trabalho por superiores hierárquicos que entendem tudo de estatísticas mas absolutamente nada de estratégia e reconhecimento de trabalho. A reação é imediata, com a apatia que leva a doença física e/ou psicológica ou o desejo de atender as expectativas dos superiores, porém sem qualquer preparo ou quando muito conhecimentos deficitários, aliados ao aumento da desconfiança que acaba gerando desequilíbrios, doenças e morte prematura desses policiais. Quando um colega é vitimado, seja por doenças ou pela violência, o policial seja civil ou militar sente-se desamparado pela administração e principalmente pelo Governo que, na maioria das vezes cria inúmeras dificuldades para prestar qualquer apoio para as famílias dos colegas mortos, ao mesmo tempo em que não promovem qualquer melhoria nas condições de trabalho e reconhecimento remuneratório desses Agentes da Lei.

Vale, ainda, frisar que recentes pesquisas mostram que um grande número de policiais civis possuem muitas dívidas. Além disso, também reclamam da falta do fornecimento de equipamentos de segurança adequados para as suas atividades. Por exemplo, o armamento da polícia paulista é de má qualidade, viaturas não possuem qualquer tipo de blindagem, muitas não são adequadas para o trabalho policial e não há muita disponibilidade de armas menos letais para lidar com distúrbios coletivos, por exemplo, que vem aumentando cada vez mais.

Diante desse quadro nebuloso, é fundamental que o Governo de São Paulo seja rápido em amparar as famílias dos policiais mortos, e mais rápido ainda em providenciar ações para que mais policiais não morram de forma prematura, a partir de cuidados preventivos seja quanto a saúde metal e física, bem como as condições de segurança de cada um. É necessário, ainda, que haja penas de prisão extremamente duras e sem possibilidade de progressão para quem matar um policial. A mídia precisa dar mais visibilidade para os problemas que os policiais enfrentam  no cotidiano e deixar mais claro à população que não se pode aceitar a morte de um Agente da Lei. Apoiar as polícias não se trata de aceitar que ilegalidades sejam cometidas ou praticadas contra quem quer que seja. Apoiar as polícias é entender o sofrimento cotidiano pelo qual passam os policiais e trazê-los para perto de cada um de nós para juntos construirmos a polícia que queremos. Por fim, todos nós precisamos apoiar mais o trabalho de nossas polícias, cobrando do Estado efetivas ações para impedir especialmente o fim dessa centenária Instituição Polícia Civil do Estado de São Paulo.

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