Movimento Unificado em Santos/SP

Dando sequencia ao estabelecido no início deste mês de outubro, integrantes do Movimento Unificado S.O.S. Segurança Pública percorreram durante todo o dia do último dia 14 diversas unidades da Polícia Civil e Polícia Técnico Científica localizadas na cidade de Santos, litoral Sul de São Paulo.

Recepcionados pelo Delegado de Polícia Seccional, Manoel Gato, os líderes classistas ouviram da autoridade as idênticas reclamações que tem atingido a Polícia Civil em todo o Estado de São Paulo com crescente agravamento a cada ano e especialmente neste período quando já tem início a Operação Verão, com vistas a segurança de um número aproximado de 1milhão e meio de turistas na região.
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A precariedade é visível em todos os aspectos e segundo o Delegado Seccional, a pauta reivindicatória do Movimento é rigorosamente a mesma para toda a Polícia Civil Paulista, mas o que mais impressiona é a falta de servidores em todos os setores, a começar pelo setor administrativo do Deinter 6, onde o Núcleo de Pessoal, para atender toda a região da Baixada Santista e Vale do Ribeira, está localizado numa sala onde seis policiais desviados de suas reais funções tentam fazer todo o trabalho que deveria ser realizado por no mínimo dez servidores administrativos. Entretanto, como todos afirmaram, não existe nem espaço físico para mais funcionários, pois imensas pilhas de papeis são formadas a espera do devido encaminhamento.

Os representantes do Movimento estiveram, ainda, reunidos com o diretor do núcleo do Instituto de Criminalística, Antonio Alvarez Monteiro, o qual afirmou que não existe verba para absolutamente nada, mas que a sua maior preocupação é com a falta de pessoal, pois só no primeiro semestre três peritos já aposentaram e até o final do ano serão mais sete, não havendo, entretanto, qualquer sinalização de que essa defasagem será sanada.
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Encerrando a visita a Baixada Santista, os líderes classistas estiveram no Instituto Médico Legal da Cidade, onde existem atualmente 45 servidores, entre médicos legistas e demais profissionais das diversas carreiras da Polícia Civil e Polícia Técnico Científica para atender toda a demanda de Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande e Registro.

Nesse IML de Santos, além da absoluta falta de profissionais para atender toda a demanda da região, o que causou perplexidade aos integrantes do Movimento foi a absoluta precariedade das instalações do local, desde o próprio prédio que está cedendo e com inúmeras infiltrações por haver sido construído sobre um mangue, até as próprias mesas para realização das necropsias com encanamentos entupidos, obrigando os profissionais, médicos e auxiliares, a transitarem pelo piso do necrotério encharcado de agua com sangue e pele dos cadáveres examinados. As geladeiras em funcionamento precário apresentam além do mau odor característico, muito sangue empoçado, o que segundo os funcionários ocorre em virtude do serviço de limpeza contratada ser feito apenas durante o dia de 2ª a 6ª feira, enquanto que os corpos a serem necropsiados chegam a todo momento, numa média de 200 por mês e que certamente neste período de verão, o número deverá triplicar em decorrência do aumento da população flutuante.

Em todos os locais visitados, os líderes classistas solicitaram o apoio de todos os policiais para a longa trajetória a ser percorrida antes do Governo do Estado atender a pauta reivindicatória da categoria. Entretanto, conforme afirmaram, a crise enfrentada pelo País em virtude dos reiterados episódios de corrupção e mau gerenciamento da coisa pública, não pode servir de desculpas para o governador Geraldo Alckmin deixar de atender os três itens que compõem a pauta aprovada em Assembleia Geral da classe, com absoluta prioridade para a imediata nomeação dos aprovados em concursos desde 2013, bem como abertura de novos concursos para todas as carreiras, com vistas a suprir a defasagem crescente em todos os setores da Polícia Civil bem como da Policia Técnico Científica.

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